Setembro. Mês memorável. É quando a deusa Íris volta a aparecer com mais assiduidade e candura; os pássaros estão mais serelepes e vivem o dia entoando prelúdios à primavera; e a partir daí, até as pessoas ficam com um ar mais fresco e perfumado. Vocês já repararam?
Nem preciso rememorar que setembro é o mês comemorativo à Independência do nosso país, o que me leva a pensar que D. Pedro não poderia ter escolhido mês mais apropriado para bradar a “Independência ou Morte.” Isso porque a primavera tem, certamente, tudo a ver conosco, com o Brasil. Basta lembrar a aquarela da nossa bandeira...
Logicamente, eu não iria me esquecer de outra data muitíssimo importante e bonita, celebrada neste mês, e que acaba completando a aura nobre desses dias primaveris.
Hoje, dia 03, o ser biólogo, uma especiezinha azurra, está de parabéns. Neste dia comemoramos 30 anos de regulamentação profissional (junto com os biomédicos!) e 75 anos do primeiro curso de Biologia no Brasil (na época chamava-se História Natural). E para mim, em particular, esta data é ainda mais especial porque acendo a vela do meu primeiro aniversário como bióloga.
Já antecipo que biólogos, no seu dia, não fazem muita questão de receber presentes. Por isso, não se preocupem comigo... Na verdade, o verdadeiro biólogo – amante da vida –, na sua atuação diária, já recebe as mais valiosas premiações e honrarias: é um assovio apaixonado de um pássaro aqui, ou de um aluno encantado e brincalhão; um abraço de gratidão de um morador lá de uma comunidade tradicional; um hello de um fungo que aparece na placa de petri (e que tanto você tentava acertar o meio de cultura para fazê-lo se reproduzir!), e blá, blá.
Quem é biólogo sabe das surpresas e encantos cotidianos da profissão. E há mais de 50 diferentes campos de atuação para a gente se seduzir, o que, na hora de escolher a especialização, consiste num problema dos maiores para aqueles que, como eu, são apaixonados pela vida!
Hoje o texto é em cobra mesmo, e não poderia ser diferente já que é justo prestar homenagem a quem me foi tão significante e essencial: a Deusa Βιολογία (do grego βιος - bios = vida e λογος - logos = estudo).
Devo a ela grandes oportunidades de aprendizado, de reacender sensibilidades, de mudar e descobrir valores mais condizentes com a sustentabilidade, de autoconhecimento, enfim, de crescimento e amadurecimento pessoal.
Agradeço a ela, sobretudo, por ter me colocado cara a cara com a alteridade (e ter aprendido tão bem a conviver com ela!), por me ensinar a ter mais paciência e temperança e, ainda, por ter me trazido grandes e importantes amigos.
Iria falar das dificuldades e infortúnios da nossa profissão, mas, pra quê? Afinal, para quem é biólogo de coração – aquele que estremece quando chamam pela formação (eu pelo menos sou assim!) – se deixa esquecer pelos “sortilégios” da profissão. E com aquela frase de sempre, tentamos nos reconfortar... Nem preciso citá-la aqui.
Sinceramente, quem se preocupa com o dinheiro quando estamos in love?
Como disse brilhantemente o meu amigo-tartaruga, Gui, no seu indelével e delicado discurso de formatura: “a Biologia nos trás algo sem preço: o contentamento. Passamos a dar valor às coisas simples, deixando de lado um pouco do apego material. Além disso, enxergamos Biologia em tudo! Percebemos que a Biologia está em tudo!”
E é isso que eu peço, e tento incentivar a quem me cerca: observar que estamos, de fato, imersos em biologia o tempo todo, e ainda, a ser um pouquinho biólogo. Vamos tentar?
Bem, eu não resisti. Perdão pela mentirinha, mas vou fazer, sim, um pedido de aniversário profissional. Dizem que não nos traz sorte contar o pedido, mas eu acho que esse pode e é muito factível:
Rogo, neste dia, ao céu azul – o azul que abençoa a nossa profissão – que traga luz à consciência de todos nós, sobretudo, dos homens públicos do nosso país e do mundo, para que cada vez mais se guiem por valores de sustentabilidade, ética e união, e, principalmente, que coloquem a engrenar as políticas públicas ambientais e moralizantes.
Amém!
(...) Assim, indubitavelmente, teremos empregos de sobra (porque serviço o homem já nos demanda, e muito!) e o céu provavelmente será um pouco mais cerúleo.
Parabéns aos queridos biólogos!
Um abraço faceiro, comemorativo e cheio de vida
Priscila
“Se a consciência das nossas verdadeiras relações com o restante dos seres vivos contribuir para o abandono da noção de propriedade da natureza, então sentir-se parente do pássaro que canta em sua janela não vai ser só uma sensação maravilhosa. Vai também ajudar a fazer o mundo melhor.”
Fernando Fernandez