Tendencionices e idéias sem embasamento parte 3 21/04/2010 01h16m
Escrevo estas linhas de indignação. Porra! Caralho! Parafraseando sábio cientista norte americano Kinsley grito ESTAMOS TÃO PREOCUPADOS EM SE ENQUADRAR NA NORMALIDADE QUE ACABAMOS ESQUECENDO A NOSSA PURA HUMANIDADE. Vários autores já escreveram isso por um longo período de tempo, mas e ai? O que temos? Mais merda encima de merda!
Será preciso um texto chulé, medíocre como este para certos cérebros desprovidos de qualquer noção possam perceber isso? Será que temos que encher tudo de atrativos para que o gosto da vida seja mais prazeroso? Por quanto tempo as pessoas irão se orgulhar de não lerem livros ou não terem a noção de que isso é importante? Será que sempre precisaremos de alguém que nos diga o que fazer? Como ser? O que não fazer? Como parecer? O que representar? Será que não podemos colocar as frivolidades de lado um minuto e discutir o que realmente importa, sem exemplos superficiais tocando direto aos pontos importantes e as teorias em crise, ou a serem construídas?!
Confesso que admiro a mesquinharia humana. Admiro muito quando esta é parte do instinto e da escolha individual que transcende a pura normalidade bitolada das coisas.
Somos problemáticos. Conseguimos ser infelizes no meio de tantos imediatismos da libido. O século do gozo. Não falo só de sexo; novelas com sexo; músicas com sexo; e etecéteras, disso que falo. Ser infeliz hoje é um tributo aos românticos e aos clássicos. O instinto primitivo de morte está em baixa Sr. Freud.
Contudo discutirei isso mais adiante, o texto que segue tem uma pequena relação com toda questão de imediatismo que venho tratando. Espero que você faça essa conexão, caso contrário essa introdução fica desconexa.
Quero compartilhar convosco hoje um tributo à beleza! O que faz o belo ser tão especial? O feio! Ele é o plano de fundo, a referência. Trago-lhes hoje a letra de uma música de Rogério Skylab “Você é Feia”, baita obra-prima!
Você É Feia
Rogério Skylab
Composição: Rogério Skylab
Você é feia,
É feia pra caralho.
É pobre,
Mora na rua,
É perigosa,
É feia pra caralho.
É perigosa,
É paranóica,
Porra-louca,
É feia pra caralho.
Quer um conselho?
Entra no banheiro,
Fecha bem a porta,
Tampa o basculante,
E liga o gás.
É feia pra caralho.
Está com aids,
É paranóica,
Porra-louca,
É feia pra caralho.
Percebeu a importância de se manter no padrão? Se tiver a oportunidade de ouvir a música – repito – baita obra-prima!
Você sentiu pena? Pensei sobre.
Você achou Skylab sádico? Achei um arauto da libido, totalmente irrefutável.
Triste? Vá saber.
Quando perguntarem “Filosofia pra quê?” Não seja bocó, responda: “Pra poder ser barbudo e feio quanto quiser”.
Desabraços
(Update: Esse play logo ai embaixo é a música, caso queira ouvi-lá à balde, fique a vontade)
Freud já dizia: “Não consigo encontrar em mim este que chama de sentimento oceânico.” Ou quase isso.
No declínio do homem público e esfacelamento do holismo a imagem de Deus sofreu também alterações. O sentimento oceânico que a imagem de Deus como plano de fundo pra existência do homem emprestava á vida social sofreu alterações com as crises das metanarrativas modernas.
O fim do historicismo na mente das pessoas leva o sentimento oceânico á outros lugares. Deus está vivo. Quando há a quebra das forças sócio políticas de Deus na conjuntura pós moderna ele esfacela-se. Ele aparece não mais com plano de fundo da vida social, do homem público, mas na mente de cada indivíduo. Na sociedade antropocêntrica Deus ainda é a idéia geradora do antropo. Ele reside em cada indivíduo na sua individualidade.
Vamos tentar algo diferente dessa vez. Que tal? Simplificar as coisas. Reluto, mas sou uma pessoa sensível, em sintonia com meus leitores.
(se você percebeu um tom irônico no parágrafo a cima, percebeu bem)
Freud já dizia: Algo em alemão difícil de entender! Então deixa pra lá. Eu gosto de Heidegger, vamos falar dele. Heidegger diz, entre tantas outras coisas, que o homem deve ser um ser em possibilidade. Mas que diabos é isso?
Primeiro ele fala que a palavra “Ser” não se refere só ao ser humano. O ser humano é um modo de ser. Um tipo de “Ser”. Ser é algo que existe de várias formas, e a existência é um conceito bem amplo se formos analisar o que entendemos basicamente por existência, por exemplo: os anões da branca de neve existem, existem no mundinho dos contos de fadas, são seres que tem existência e que são mensuráveis em nosso mundo, ou seja, a gente pode explicar como é um anão, o que eles fizeram na história, enfim, podemos dialogar sobre eles, então eles existem no nosso diálogo. Enfim, voltemos ao ser.
O Ser em possibilidade é um ser que sabe de sua condição de existência e busca conhecer suas possibilidades para um modo de ser mais amplo. Veremos: falemos das pessoas. Uma pessoa que busca entender seu passado, as influências sofridas pelo meio em que vive, pela cidade que habita, país, cultura, etnia é uma pessoa que pode ou não escolher seguir seu passado, pois tem conhecimento do mesmo. Ou seja, ele conhece as influencia de seu passado para poder escolher como vai usá-lo ou como ele influência em sua vida quer queira quer não. As influências de sua cultura, da educação de seus pais é uma possibilidade em sua vida. E ela, ou qualquer outra, continuará sendo uma possibilidade se nenhuma assumir um caráter único. Isso quer dizer, por exemplo: a partir do momento que uma doutrina religiosa assumir o caráter de sendo reveladora única do sentido de tudo e excluir as outras tantas o Ser deixa de ter possibilidades.
O ser deve existir em possibilidade. Em possibilidade de conhecimento, em possibilidade de escolha e atuação consciente.
Hoje não tivemos muito humor. Enfim, fica pra próxima, espero ter contribuído em algo dessa vez. Talvez faça mais postagens didáticas assim. Talvez.
E quando perguntarem, filosofia para que? Responda: Para transcendência pura da animalesca marca humana, todavia conjugando-a. Destarte um humano mais humano surgirá.
Particularmente prefiro a resposta do meu amigo Catiano, “Pra não ser tão bocó!”.
Aliás, achei interessante o erro que deu na postagem passada. Vou deixar assim. heheheheh