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Felipe B. Amaral
Homem x Natureza
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FRAGMENTO DE UMA DISCUSSÃO
08/07/2010 10h57m
Em meados do século passado, a sustentabilidade surge composta pela tríade – econômico, social e ambiental e se insere no contexto social global como norte para manter o crescimento da produção e consumo, motivando para tanto as subjetivações estéticas dos indivíduos, garantindo que um consumo sempre maior do supérfluo esteja vinculado com a conservação ambiental e, portanto, sugerindo aos indivíduos um ciclo harmônico entre homem e natureza configurando entretanto, uma relação epistemológica, adaptada do dualismo psicofísico cartesiano.
Muitos autores debatem o tema sustentabilidade e do ponto de vista da sociologia e da filosofia, a tríade que compõe o projeto é carente em seu alcance, ou seja, não contempla as concepções subjetivas de natureza mas, ao contrário, subjetivam a sociedade afim de conservar os mesmos padrões de produção do modelo capitalista (GUATTARI, 1990).
A julgar por essas definições mais recentes, percebe-se que a sustentabilidade vem ganhando cada vez mais abrangência no contexto social, suprindo aquela definição primeira, incorporando outros contextos e olhares sobre a causa ambiental, que está longe de ser uma causa puramente material ou ainda uma análise que reifica a natureza enquanto fragmento ecológico. A causa ambiental abarca acima de tudo, a causa humana. Esse fluxo contínuo definido como “anel” por Morin (2007), insere o ser humano antes na natureza ou no mundo como um ser que faz parte daquele, constituindo um círculo sinérgico assimétrico. Portanto, ao definir a causa ambiental, uma causa da natureza, mantendo os padrões de subjetivação ética e estética da sociedade, se está compreendendo apenas uma parte do processo, ou seja, a herança cartesiana do domínio da natureza, utilizando-a para nossa sobrevivência enquanto homo consumers.
A natureza representa para o humano mais que Logus e Pathos; ela assume o lado místico e onírico, identificando o ser-em-si (MORIN, 2007). Entretanto a sociedade é subjetivada e determinada esteticamente, enredada de forma a não perceber esse afastamento com a natureza, sempre subjetivada pelo mass media (GUATTARI, 1990; TIEZZI, 1988). A crítica portanto, à sustentabilidade, de modo algum sugere que as práticas vigentes sejam mecânicas ou mesmo engessadas. O que se critica é a condição sustentável para o crescimento da produção, o que suscita na sociedade uma concepção particular de natureza, diferente das concepções includentes que havia nas sociedades arcaicas (MONTIBELLER-FILHO, 2001).
Portanto, a discussão transcende a esfera terminológica ou mesmo de aplicação; pretende trazer para o jogo uma análise de quem é esse humano que atua sobre e com a natureza, e em que caminhos as ações contemporâneas, responsáveis pelas subjetivações sociais e individuais, estão trilhando, para se poder sugerir um destino futuro. Com certeza não se fala aqui de uma visão metafísica, nem tampouco em um objetivo ou projeto futuro em que a sociedade e seus indivíduos tenham determinadamente que chegar; a visão de futuro que se sugere, é justamente o rumo através da ação, em outras palavras, em que esse caminhar no caminho resultará, enquanto fragmento do eterno e inacabado projeto humano e social.
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CRÍTICA À SOCIEDADE DE CONSUMO.
22/06/2010 17h01m
Fato é: consumimos; para o bem e por nada, e quanto mais consumimos, mais ampliamos o desejo para uma "determinada" qualidade, e, se acaso alguém sugerir uma qualidade inferior, não aceitamos. É difícil retroceder. De bom grado mesmo, convicção primeira irrevogável, não nos permitimos voltar à patamares d'antes visitados.
A relação da humilde coluna com essa afirmação, vem justamente do excesso de "recursos" naturais despendidos para confecção dos objetos de desejos. Quanto melhor elaborado o objeto (que por vezes se torna sujeito), mais impactos ambientais são gerados no momento da sua elaboração. E se somos produto social (Durkheim; Habermas), como estão sendo geridos atualmente tais processos, ante a crise ecológica (Guattari) contemporânea?
Antes de tecer sobre a gestão, gostaria de me deter no início da pergunta: Somos produto social. Meus amigos pesquisadores, meus mestres e outros, certamente condenam essa declaração acertiva, em vista de sua irrefutabilidade. Contudo, parece-me, não está claro para a maioria esse alarmante, do ponto de vista "ecosófico", fato. Então, as subjetividades objetivadas ou determinadas, podem medir e julgar o quanto isso importa para a existência; do Eu ou do Nós.
Regressando à questão, a crise ecológica que nasce com a crise econômica, e impreterívelmente é pautada por ela, está sendo gerida dessa forma; nua e clara: Continuem Vendendo, Continuem crescendo (desenvolvendo) mas sejam sustentáveis!!! Um Demirgo contemporâneo, de barbas longas. Parece que ouço as grandes empresas, que não podem deixar de ascender no mercado, respondendo: - Sim, produziremos menos plásticos, mas aumentaremos a venda. Em outras palavras, a sociedade que subjetiva o indivíduo (objetiva?), inculca no indivíduo a sede de saciar a sede, agora de maneira sustentável, de maneira subjacente e ecologica. E como fugir à essas determinações sem ser excluído? As relações de pertencimento, não prevêm isso dessa forma, portanto, continuamos sendo sempre mais do mesmo.
Felipe B. Amaral
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REFLEXÕES ACERCA DO HUMANO
17/05/2010 14h18m
O homem segundo Morin (2007) é um uno múltiplo, ou seja, uma unidade complexamente diversa, que vive na tensão entre a vida e a morte e de seus valores intrinsecos. Essa unidade complexa e diversa compõe junto com outros homens uma sociedade igualmente densa e complexa que, aliado com as coisas naturais, permitem a vida humana no planeta.
Pensar sobre o humano nos remete a pensar, não só no Outro ou no Eu. Pensar no humano configura pensar, em uma análise filosófica, um pensar no mundo. Não só no mundo material que não escapa aos sentidos, mas em um mundo o qual aquele nos leva, o mundo da vida. O mundo da vida é apreendido aqui como o mundo em que os entes constituem os seres, e onde nada se dissocia. O todo se compreende na unidade e a unidade é compreendida no todo. Nesse sentido de unidade múltipla é que se ousa enveredar para, através de um olhar por assim dizer holístico, compreender como o humano se constitui temporalmente e qual o papel da relação com a natureza na constituição do humano. Um olhar para o humano. Um olhar para a natureza. Um olhar epistemologicamente hermenêutico.
O ser do humano é constantemente desafiado pela natureza, razão pela qual ele é obrigado a transformá-la e essas transformações, possibilitam a emergência e o desenvolvimento cultural (ARRUDA, 1989). Desde já, portanto, pode-se dizer que não há como analisar dicotomicamente cultura e natureza por razão de suas imbricações, ou seja, uma nasce da outra e a transformação de uma, implica na transformação da outra (ARRUDA, 1989; MORIN, 2007; READ, 2009).
A cultura é, portanto, a transformação que o homem exerce sobre a natureza, mediante o trabalho, os instrumentos e as idéias utilizados nessa transformação, bem como os produtos resultantes. E, mais ainda, nesse processo, o homem se autoproduz, se faz a si mesmo um homem (ARRUDA, 1989, p. 4. Grifos do autor).
Ao desenvolver esse pensamento, Arruda considera a impossibilidade ou, a inexistência de uma natureza humana, em razão das diferentes formas que a natureza (ambiente natural) apresenta; e em decorrência disso, às várias concepções e costumes desenvolvidos temporalmente no interior das diversas sociedades. É a partir disto que Boff (2003) afirma que o ser humano é um projeto inacabado. A mesma compreensão desenvolveu Heidegger ao enfatizar que o mundo munda. Pois uma vez que o humano é “jogado” no mundo, tem de construir a si no “jogo”. Esse jogo do mundo da vida em que está inserido o humano abarca toda a complexidade de sua complementaridade, ou seja, não contempla de modo dialético cultura e natureza. “Temos de superar o artifício da linguagem que nos seduz de todas as formas a encarar as culturas humanas como necessariamente opostas àquilo que nos cerca” (READ, 2009, p. 21).
Além dessa impossibilidade de separação cultura/natureza também no humano, segundo Arruda (1989), a desconstrução do que foi posto (matrizes das vicissitudes culturais, por exemplo) não é dissociável do ser. Isso não significa que o indivíduo não possa alterar sua realidade, a partir da concepção de que o humano se torna, em âmbito social, um ser consciente e assim capaz de autodeterminação. Significa dizer que o humano busca a desconstrução axiológica a partir de suas concepções primeiras.
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Pensamento niilista
28/04/2010 15h50m
Foto: Desconhecido
Já conhecido meu ceticismo referente à sociedade contemporânea, vale trazer aqui palavras folclóricas (?) que o pensador Enzo Tiezzi (1988) cita:
Na antiga Bassora, um soldado, cheio de medo, foi até seu rei e lhe disse: - Salvai-me soberano, ajudai-me a fugir daqui. Estava na praça do mercado e encontrei a Morte, vestida de negro, que me olhou de modo malévolo. Cedei-me vosso cavalo, para que eu possa correr até Samarra. Se permanecer aqui, temo por minha vida.
- Dai-lhe o melhor corcel. Disse o soberano, - o filho do relâmpago, digno de um rei!
Mais tarde, na cidade, o rei encontrou a Morte e lhe disse: - Meu soldado estava apavorado. Disse-me que lhe encontrou hoje, no mercado, e que o olhavas de modo malévolo. - Não, respondeu a Morte; Meu olhar era de surpresa, apenas, pois não sabia o que ele fazia hoje por aqui, visto que o esperava em Samarra, esta noite. De manhã, estava muito longe de lá!
Tiezzi traz esta história de modo alusivo às nossas práticas contemporâneas de salvar o planeta, perguntando se nosso destino não é de fato a morte. Pesimista o pensamento, mas reflexivo contudo.
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Epistemologia de mim para o ecossistema onde estou.
06/04/2010 14h15m
Por inúmeras vezes me sentei na frente do computador e pensei sobre o que deveria dividir com os que por infelicidade o acaso passam os olhos sobre esta rancorosa, porém singela coluna. Aqui neste espaço onde me encontro e me perco, sinto que as coisas na área ambiental parecem mais complexas para mim do que jamais foram. Quando comecei a escrever aqui, tinha uma idéia sobre a relação do homem e da natureza e daquela idéia, agora póstuma, serve somente o erro. O meu e o da relação. Só. Poque a despeito de ler tanto sobre o assunto, e ver que muitos escrevem sobre isso, irrefutavelmente subjetivos, científicos, eu que me construí assim, agora, me desconstruo. Alguém pode pensar que abandonei o princípio ou que estou desencantado. Não é isso. Acontece que há outra plataforma em que me coloco talvez na humildade de admitir que continuar questionando ou direcionando não nos leva a caminho algum. Pois posso ser que eu quiser por meio destas letras, escondido onde me exponho abertamente, covarde e corajosamente. Hoje não me sinto no direito de dar o norte, ou um norte. Hoje olho muito mais para o sul de mim e do mundo e me resigno a procurar calado. Menos dialético mais dialógico. Um corte epistemológico de mim, sigo mais permissivo, mais atento.
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