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Edinaldo Enoque
Graforréia Indigesta
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Discussões acerca do conceito de Democracia
13/04/2010 17h21m
Em síntese, Democracia significa governo do povo, ou forma de governo onde o povo pode tomar importantes posições políticas de forma direta ou indireta com os lideres escolhidos para representá-los. Na Grécia Antiga, berço da Democracia, alguns poucos poderiam interferir nas práticas governamentais. Esses poucos, eram chamados de cidadãos, eram especificamente os homens livres que pertenciam à classe dominante e que dispunha de tempo disponível (ócio) para as discussões e conseqüentes interferências na vida da polis.
O sistema econômico da polis grega baseava-se no trabalho escravo, onde, devido a sua condição inferior perante a estrutura social da época, era impedido de optar e de participar das decisões da polis. Desse modo, o escravo, o meteco (estrangeiro) e as mulheres eram excluídos de um sistema dito “popular”, mas que na prática pertencia a classe dominante.
E hoje, pode-se chamar de Democrática a oportunidade de os menos favorecidos optarem e escolherem seus representantes?
Diferentemente da Grécia Antiga, a Democracia atinge no auge das Revoluções Liberais, um aspecto libertador e emancipador. Cunhado nos ideais da Liberte, Igualite e Fraternite, o cidadão comum acreditou que poderia, com a queda do Regime Absolutista, alcançar enfim a emancipação e a Igualdade pretendida.
Ao contrário da Antiga Grécia, a Revolução de 1789 ofereceu ao descontente Terceiro Estado (povo) a oportunidade de libertar-se do jugo opressor das elites e instituir um governo democrático e igualitário (no verdadeiro sentido do termo). No entanto, o que vimos não aconteceu, e o que se verificou foi à ascensão de uma classe e de um sistema econômico igualmente opressor e verticalizador: Burguesia e Capitalismo.
Decorridos, duzentos e dez anos o sistema e a classe permanecem firmes e o “Terceiro Estado”, também.
E a Democracia? A democracia continua tendo o mesmo significado da Grécia Antiga tanto na teoria (Governo do povo) quanto na prática (Beneficiando à elite). E o ócio? Serve para a classe dominante pensar na maneira de utilizar o sentido etimológico da palavra, para na prática, fazer o povo pensar que é cidadão, e conseqüentemente acreditar que vive efetivamente num regime democrático.
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Choperia
10/01/2010 21h04m
Foto: Divulgação
O álcool inebria
e também esclarece
de baixo vejo sentado
a escada rolante
sobe e desce...
eu sou o cara mais inteligente que conheço
e por acaso te conheço?
Você é mais inteligente do que eu?
Penso, logo te esqueço.
Na espaçonave terrestre
Dos espasmos complexos do acaso
No ocaso espúrios da mente
Que corroem o homem por dentro.
Espumas do corpo no ar
Do centro do nada, talvez
Espero debalde minha vez Sem ao menos poder respirar
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Veredas
28/11/2009 21h01m
Foto: Divulgação
No corte da carne que corre o sangue
Singram as vias
Veias que secam
A morte persegue
Não fuja espera
A foice carrasca
O Fim anuncia
Os pássaros cantam
O réquiem
Da orquestra
Os vapores anunciam e clamam Caronte
Nos escuros encantos dos cantos escusos
Do regaço do além
Os dias prolongam
E os corpos se tornam
Parte do humos
Olhamos com asco o que contemplamos
Nos espasmos dos sonos
Que não adormecem
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O PAPEL DA EDUCAÇÃO NO MUNDO DAS INCERTEZAS GLOBALIZANTES (PARTE IV)
22/10/2009 16h08m
Foto: Divulgação
O desenvolvimento científico e tecnológico proporcionou ao homem a capacidade de suprir todas as necessidades materiais existentes nos quatro cantos do globo: a fome, a miséria, as desigualdades sociais, o descaso pelo qual grande maioria da população mundial passa deverá ser superada quando o homem aprender a ética da compreensão. A ética da compreensão é a arte de viver que nos demanda em primeiro lugar, compreender de modo desinteressado. Devemos relacionar a ética da compreensão entre as pessoas com a ética da era planetária, que pede a mundialização que estaria a serviço do gênero humano é a da compreensão, da solidariedade intelectual e moral da humanidade.
Assim, essa educação visionária tem elementos necessários que visa livrar o homem do jugo opressor do medo do outro, do desconhecido. Livrar o homem dos racismos e xenofobias. Dar ao homem o direito de escolher o que é melhor para si e para o próximo. A educação do porvir deverá trazer o homem para o autoconhecimento, deverá mostrar os erros e as mentiras que estamos sujeitos a sofrer se agirmos somente pela racionalidade não levando em conta os sentimentos e afetividades. Deverá mostrar que o homem ao mesmo tempo em que é dono de singularidades que lhe são passadas familiarmente e culturalmente, também é um ser múltiplo pertencente a pluralidade da raça humana. O amor a Terra é outro elemento importante dessa educação que visa transformar o homem em “árvore”, no sentido de respeitá-la como mãe fornecedora de alimento, amor e vida, criando assim, raízes profundas em seu solo.
Compreender o outro em suas diferenças em suas dificuldades gera união e fraternidade. Deve-se desenvolver a compreensão de si mesmo e do outro na educação do futuro, onde a ajuda recíproca se aprofundará no momento em que o homem deixar de pensar exclusivamente em si próprio e se voltar para o próximo. Fazer ao outro o que eu gostaria que fizesse a mim, esse é o tema central do Imperativo Categórico kantiano e é esse que deverá ser o mediador das ações do homem do futuro.
CONCLUSÃO
Diante do que é o mundo atual, como disponibilidade e como possibilidade, acreditamos que as condições materiais já estão dadas para que se imponha a desejada grande mutação, mas seu destino vai depender de como as possibilidades serão aproveitadas pelo homem. Agora que estamos descobrindo o sentido de nossa presença no planeta, pode-se dizer que uma historia universal verdadeiramente humana está, finalmente começando. A mesma materialidade, atualmente utilizada para construir um mundo confuso e perverso, pode vir a ser uma condição da construção de um mundo mais humano. Basta que se completem as duas grandes mutações ora em gestação: a mutação tecnológica e a mutação filosófica da espécie humana
3 MORIN, Edgar. Os Sete Saberes Necessários à Educação do Futuro. São Paulo: Cortez, 2000. p. 54
4 SANTOS, Milton. Por Uma Outra Globalização: Do Pensamento Único à Consciência Universal. Rio de Janeiro: Record, 2001, p. 89
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O PAPEL DA EDUCAÇÃO NO MUNDO DAS INCERTEZAS GLOBALIZANTES (PARTE III)
11/10/2009 14h15m
Foto: Divulgação
Essa rearticulação do saber deve levar em conta fatores ontogenéticos e filogenéticos. O homem é 100% cultura e 100% natureza. Ninguém nasce naturalmente bom ou mal. Ao contrário do que pensava Rousseau (2000) não é a sociedade que corrompe o homem, mas é a sociedade que dá humanidade ao homem. O homem sem a sociedade é um primata e o homem sem sua Natureza é um lunático. A educação do futuro deve levar em consideração a Natureza Humana, pois é nela que está inscrita os sentimentos mais belos e os mais nocivos. Maldade e a bondade são inerentes ao homem. A educação tem por objetivo socializar o homem que nasce natural desenvolvendo suas potencialidades para o bem comum, e prepará-lo para dar vazão às suas pulsões negativas sem prejudicar os outros, nem sua integridade física e mental.
A diversidade cultural existente no mundo não é Una em relação ao desenvolvimento desses sentimentos naturais. Há culturas que desenvolvem em seu seio o ódio e a intolerância religiosa, há outras em que o status social das pessoas não é medido por seus bens materiais, mas sim por suas práticas altruísticas (VIVEIROS DE CASTRO, 2006).
A socialização, o reconhecimento do homem quanto natural/social ressuscitará o amor ao próximo, ao diferente, ao desconhecido. Conseqüentemente o homem voltará a amar a Terra A educação deverá suscitar no homem o amor a Terra. O Planeta Terra deverá restaurar sua posição de Mãe Gaia, sua posição de mãe que nutre, que protege e que gera a vida. Assim, o descaso com que ela é tratada pelos homens modernos será substituído pelo amor fati: Amor ao Destino, ao Destino que nós todos estamos fadados, assim como nos dissera Nietzsche (2005, p.137): “Não querer nada de diferente do que é, nem no futuro, nem no passado, nem por toda a eternidade. Não só suportar o que é necessário, mas amá-lo".
A educação deve mostrar e ilustrar o Destino multifacetado do humano: o destino da espécie humana, o destino individual, o destino social, o destino histórico, todos entrelaçados e inseparáveis. Assim, uma das vocações essenciais da educação do futuro será o exame e o estudo da complexidade humana. Conduziria à tomada de conhecimento, por conseguinte, da consciência, da condição comum a todos os humanos e a da muito rica e necessária diversidade dos indivíduos, dos povos, das culturas, sobre nosso enraizamento como cidadãos da Terra
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