|
|
|
|
|
|
|
|
|
|
Priscila Fernanda Rech
Além da Janela Verde
|
|
|
Pensando ecologicamente um Plano de Governo
26/08/2010 10h05m
Em tempos de eleições, vislumbramos acenos-amigos vindos de todas as partes; o sorriso torna-se mais fácil; o ouvido – aparentemente – mais atencioso e as promessas muito mais vigorosas. Nossos políticos, sobretudo os candidatos às vagas deste ano eleitoreiro, ultrapassam até o cume da urbanidade, uma postura “quase” esdrúxula e piegas.
Enquanto imagino como deve ser enfadonho dissimular o que não se é, preocupo-me com o que se costuma passar ao largo dos discursos e planos e depois mais ainda da prática dos novos dirigentes instalados.
Embora não tenha conseguido acompanhar muito os candidatos e seus planos de governo, já pude notar nas falas dos nomes ao Governo de Santa Catarina perspectivas de mudanças ex-abruptas, projetos e possibilidades novidadeiras, mas quase nunca se advoga a continuidade de programas da gestão anterior. Não que um programa novo não seja salutar e bem-vindo, mas precisamos acabar com o vício brasileiro da descontinuidade da ação pública, que acaba sendo o maior entrave para o desenvolvimento holístico do estado.
Há que se ter como postura primordial de uma nova gestão, daqui para frente, não o aniquilamento de toda a estrutura de projetos, serviços, planejamento e administração, mas o aquilatamento do que já vigora, do que se mostra profícuo, arrefecendo falhas anteriores. Simples assim.
E não importa que mude o governo, um plano consensuado e socialmente institucionalizado, para que alcance seus objetivos finais, precisa receber uma atenção igual ou maior que o governo que o precedeu ou o idealizou devotava, sob o risco imanente de a população não gozar de seus benefícios.
A gestão ambiental e os programas governamentais com viés mais socioambiental mostram-se, nesse aspecto em especial, bastante suscetíveis a essa descontinuidade. Quiçá sejam realmente os mais afetados em vista ao caráter ainda incipiente da questão ambiental dentro da esfera administrativa, reflexo da desatenção dos dirigentes por atenção preferida à economia e a outros setores mandatários, como o agropecuário.
O Código Estadual do Meio Ambiente – o tal Código Anti-Ambiental – é um exemplo disso e de como é vislumbrado a questão ambiental pelo alto escalão do Executivo e do Legislativo em nosso estado: em tom de deboche. Pensado por pessoas despreparadas – pra não dizer maldosas e mercantis –, aos olhos amadores e de boa fé o Código tinha até o cheiro de preocupação com o meio ambiente e com a pequena propriedade rural. Embora a competência de julgamento desta Lei caiba, agora, ao Supremo Tribunal Federal, o Código, assim como toda a agenda ambiental catarinense, merece ser cuidadosamente avaliada pelos eleitores e pelos candidatos a eleitos.
Então, bom pensar... que de novo será pensado pelos partidos políticos? Quais serão as prioridades em termos de proteção ambiental? Quais serão os passos para a consecução desses planos? Qual é a postura quanto ao Código Estadual? E considerando, então, os problemas que causam a ruptura das administrações provocadas pelos processos eleitorais, o que se pode manter em termos de estrutura ambiental?
Um palpite, por favor, para que não se continue a “vigorar” o grande número de praias e rios poluídos, a corrupção verde, morros indo ao chão, ilegalidade, descaso e destruição, alegorias que têm enfeitado a bandeira de Santa Catarina...
Por fim, creio que uma mudança de mentalidades ainda é a maior necessidade dentro do governo; ademais o meio ambiente ainda carece de maior atenção dentro da agenda de ações, não esquecendo que a sociedade ainda precisa agir mais consciente de seu papel de fiscalizador e de exigir que os atuais e próximos governantes se responsabilizem sempre mais com a Ecologia e com programas de longo prazo envolvendo o meio ambiente.
|
|
(0) comentários
|
|
|
Tempos de Bruma
06/08/2010 09h40m
Acorda o dia, mas o dia ainda é noite. O relógio grita: hora de levantar. Mas como, nem o quero-quero acordou! Insisto em ficar um pouco mais na cama, desconfiando que o ponteiro pirou. Ora, um silêncio gritante... Batidas de tucano na minha janela; já era meio-dia, quando o Sol vingou.
Nos últimos anos esta vem sendo a rotina do Sol, dos pássaros e dos desavisados: acordar depois do meio-dia! Nada de dizer que sorte a deles ou chamá-los de folgados. Não. Coitados dos que acordam e se encontram tapados na bruma; pior ainda, sem relógio pra conferir se já é a hora de ir pra peleia!
O oeste catarinense, neste ano, vem sofrendo, como nunca antes, com a neblina. Se fizermos uma enquete entre pássaros e outros seres voadores, eles reclamarão, certamente, da baixa visibilidade que inviabiliza seus voos. E quando o aeroporto de Chapecó fecha? Sem comentários.
Bem verdade que a questão do nevoeiro veio à tona em função da corriqueira inoperação do Serafim Bertaso – um dos aeroportos com maior movimentação no Sul do Brasil –, sobretudo nos últimos dias. Comenta-se muito. Mas tudo muito superficialmente e apenas no círculo exotérico. Quero dizer que os dias nebulosos pouco vêm sendo questionados como o resultado da instalação das centrais hidrelétricas. Reclama-se, mas a discussão não entra muito no âmbito de porquês e de como solucioná-lo. Se é que hoje se pode solucionar...
É difícil solucionar na medida em que os dias nevoentos – que cobrem a cidade do dossel aos platôs por várias horas – estão intimamente ligados ao aumento da evaporação produzido pelos barramentos feitos nos rios da região. Uma vez encaixotado o rio, como desfazer a barragem?
Minha interferência com esta é no sentido de chamar a atenção para o problema dos nevoeiros. Essa questão precisa receber maior destaque por parte de nossos dirigentes e dos empreendedores que brilham seus olhos com a possibilidade de renda do negócio hidrelétrico.
A cerração requer, defendo, maior atenção dentro dos Estudos de Impacto Ambiental. Um impacto, ressalvando, que não é somente ambiental. Estar o dia todo entre a bruma, privando o Sol de chegar até nós, é insalubre, sem dúvida. O nosso humor muda, a gente fica até um pouco triste com a névoa. E eu me pergunto: Qual é o direito que uns poucos têm de nos tirar o Sol? De nos tapar os olhos? De nos deixar pra baixo? Qual poder é o deles de alterar indelevelmente o microclima regional, interferindo em nossos cultivares, por exemplo?
Não entrando no tocante à importância da energia, que é inquestionável, mas todos nós precisamos olhar mais cautelosamente para esses projetos hidrelétricos. Saber ponderar se as benesses justificam os impactos negativos que esses empreendimentos nos trarão. Se a neblina é apenas um detalhe, um sombreado no cenário regional, que pode, por isso, ser deixado de lado; ou se é um impacto que tem interferência ampla na vida de todos?
Pensando...
|
|
(1) comentários
|
|
|
Drummond em São Miguel
21/07/2010 15h50m
No meio da rua tinha um buraco tinha um buraco no meio da rua em toda rua há um buraco...
Triste e irritante quadro da nossa cidade, nos últimos tempos. O carro passa batendo todo. E caminhando corre-se o risco de cair um tombo ou, pior, ser engolida por um buraco. Não é apelo. Garanto que não há quem trafegue pelas ruas de São Miguel sem comentar ou perceber a quantidade de panelas enfeitando os logradouros.
Um bom tempo enfrentando isso, como uma boa brasileira de memória esquizofrênica, a gente vai levando, até achar normal, até o buraco se tornar cenário banal de nosso cotidiano. Mas uma hora a gente se irrita. E cria vergonha na cara, tornando-se cidadão... Chamando atenção para o que não parece certo. Exigindo providência. Nem que seja um pronunciamento; por favor, nossos dirigentes...
Não se merece mais argumentos. O fato cabal é que os buracos precisam acabar! Sob pena de todos terem que andar de jipe. Aí sim.. Não haverá mais espaço e estacionamento na cidade! Vocês decidem...
|
|
(0) comentários
|
|
|
Uivos de sono
01/07/2010 15h08m
Aguardando o sono bater à porta do meu corpo, e ouvindo o nada, o silêncio apaziguador da cama em minha espera; gritos. Fazia tempo que não ouvia aquilo. Era o desespero de porcos sendo conduzidos pro território do fim.
Eu estava com a alma tão audível naquela hora, que o som fez surgir em mim as mais diversas cenas. Fiquei imaginando a sensação cruel e mortífera a de ser encurralada dentro de um caminhão, compartilhando o ar vermelho-sangue com um chiqueirão inteiro, até que, por fim, e depois de muitas horas na estrada, chegar ao santuário dos mortos de fome – os Homo demens.
Essa visão horrenda embalou-me por muito tempo, trazendo de volta muitos questionamentos: por que submetemos os outros a tamanho sofrimento? É defensável matarmos os outros – nazismamente – para saciar os anseios esdrúxulos do homem? Qual é o valor da vida? Qual é o direito dos que a voz só se faz entender aos gritos e no silêncio refletido no coração de alguém sensível?
Milhões de pessoas, durante o vigor de Hitler, tiveram suas vidas conduzidas ao horror. Ciganos, judeus, pessoas de bem, quantos não foram privados de sua liberdade de viver e foram habitar os campos de extermínio. Um destino igual ao de tantos animais que se destinam todos os dias aos frigoríficos do Terceiro Mundo, certamente.
Mas nós precisamos comer. Sim, sei que me dirão isso. A questão não é esta. A questão é que não temos o direito de violentar a vida do outro, de quem quer que seja, independente de que espécie se trata e para que fim se destina. Ainda mais para o exagero da pança!
Isso significa que é indefensável o tratamento que estamos dando aos nossos congêneres animais, privando-os de circular na relva, do calor materno, do alimento que brota do chão, sobretudo de terem um fim decente.
É inadmissível molestar Gaia, o superorganismo que é a Terra, arrancando dela a mata, matando sua água, enfim, trocando a diversidade dela por carne podre, antibiótico e toxinas de mal-estar.
Vamos pensar mais sobre isso?
|
|
(1) comentários
|
|
|
O ridículo em clima de copa
13/06/2010 20h49m
Ê. Bandeirinhas enfeitando as sacadas. Lojas a mil em vendas de televisões. Enfim, vinhetas verde-amarelas chamando os torcedores para o consumo de artigos os mais diversos. Estou falando isso porque presenciei uma propaganda que chamou muito a minha atenção; vale ser contada aqui. Sinceramente a propaganda provocou uma euforia muito maior que aquela provocada por Robinho, Neimar e Ganso dançando no comercial da Seara. Foi fabuloso! Mas a publicidade em questão era a de uma clínica médica... mais ou menos assim: “faça uma tomografia e ganhe uma corneta da Copa”.
Começo um parágrafo novo pra dar tempo de me acalmar – da gargalhada e da indignação. Não sei se é bem esta palavra, indignação, mas eu fiquei indignada mesmo! Até que ponto chegou a paixão do brasileiro pelo futebol pra se valer dele pra propagandear isso? Ou talvez, até que ponto chegou o marketing? Até que ponto chegou o ridículo!
Soa escárnio ouvir aquela música emblemática da seleção na propaganda! Sinceramente, quem vai fazer uma tomografia não o fará pelo brinde, garanto que nem fará questão de ganhá-lo. A pessoa na situação desse tipo de exame, na maioria dos casos, não tem nem clima de assistir um jogo do Dunga, quem dirá de usar uma corneta!
Sem mais comentários. Essa foi demais.
|
|
(0) comentários
|
|
|
|